quarta-feira, 21 de abril de 2010

ESCOLA ORGANIZADA EM CICLOS DE FORMAÇÃO HUMANA

O que preciso saber para desenvolver uma prática satisfatória que corresponda ao sistema de ensino implantado no estado de mato grosso

                          Elena Roque De Souza Almeida.           elenaroque2@yahoo.com.br
Mas, o que é ciclo de desenvolvimento humano?

CICLO = Intervalo de tempo durante o qual se completa uma seqüência de uma sucessão regularmente recorrente de eventos ou fenômenos.

DESENVOLVIMENTO HUMANO = é o processo pelo qual o ser humano se forma enquanto ser bio – sócio - cultural, desde o momento da concepção, até a sua morte.

Portanto, a noção de desenvolvimento está atrelada a um contínuo de evolução, em que nós caminharíamos ao longo de todo o ciclo vital. Essa evolução, nem sempre linear, se dá em diversos campos da existência, tais como afetivo, cognitivo, social e motor.

Este caminhar contínuo não é determinado apenas por processos de maturação biológicos ou genéticos. O meio é fator de máxima importância no desenvolvimento humano. Por meio entenda-se algo muito amplo, que envolve cultura, sociedade, práticas e interações.

Os seres humanos nascem “mergulhados em cultura”, e é claro que esta será uma das principais influências no desenvolvimento. Embora ainda haja discordâncias teóricas entre as abordagens que serão apresentadas adiante sobre o grau de influência da maturação biológica e da aprendizagem com o meio no desenvolvimento, o contexto cultural é o palco das principais transformações e evoluções do bebê humano ao idoso.

Pela interação social, aprendemos e nos desenvolvemos, criamos novas formas de agir no mundo, ampliando nossas ferramentas de atuação neste contexto cultural complexo que nos recebeu, durante todo o ciclo vital.


Esta é uma das razões de se pensar a escola organizada em ciclos de formação humana. Levar em consideração esse estudo é favorável à aprendizagem, vejamos alguns pressupostos importantes para a compreensão do por que desse sistema de ensino, para compreendermos como se dá a aprendizagem, o que, como e para quem planejar e principalmente para sabermos lidar com situações importantes e que muitas vezes nem levamos em conta:

Segundo Ribeiro, 2005:

• Para os teóricos Ambientalistas, entre eles Skinner e Watson (do movimento behaviorista), as crianças nascem como tabulas rasas, que vão aprendendo tudo do ambiente por processos de imitação ou reforço.


• Para os teóricos Inatistas, como Chomsky, as crianças já nascem com tudo que precisam na sua estrutura biológica para se desenvolver. Nada é aprendido no ambiente, e sim apenas disparado por este.

• Para os teóricos Construticionistas, tendo como destaque Piaget, o desenvolvimento é construído a partir de uma interação entre o desenvolvimento biológico e as aquisições da criança com o meio. Temos ainda uma abordagem Sociointeracionista, de Vigostky, segundo a qual o desenvolvimento humano se dá em relação nas trocas entre parceiros sociais, através de processos de interação e mediação.



• Temos a perspectiva Evolucionista, influenciada pela teoria de Fodor, segundo a qual o desenvolvimento humano se dá no desenvolvimento das características humanas e variações individuais como produto de uma interação de mecanismos genéticos e ecológicos, envolvendo experiências únicas de cada indivíduo desde antes do nascimento.

• Ainda existe a visão de desenvolvimento Psicanalítica, em que temos como expoentes Freud, Klein, Winnicott e Erikson. Tal perspectiva procura entender o desenvolvimento humano a partir de motivações conscientes e inconscientes da criança, focando seus conflitos internos durante a infância e pelo resto do ciclo vital.

Muitas dúvidas surgem por parte dos professores que vivem se perguntando: Como lidar com o desenvolvimento natural da criança e estimulá-lo através da aprendizagem? Como esta pode ser efetuada de modo a contribuir para o desenvolvimento global da criança?

Quem responde é pesquisa realizada pelos teóricos construtivistas:

Piaget mostra, em seu estruturalismo genético, que todas as crianças passam por estágios estáveis de estruturação de pensamento em crescente complexidade psicogenética, que são:

-o estágio sensório-motor (de 0 a 2 anos aproximadamente)

-o estágio pré-operatório (de 2 a 7 anos aproximadamente)

-o estágio das operações concretas (de 7 a 9/12 anos aproximadamente)

-o estágio lógico-formal (a partir de 12 anos aproximadamente)

Piaget explica que entre um estágio e outro existe um intermediário no qual convivem, em estado de desequilíbrio, as concepções do estágio anterior ou do posterior.

A criança parte de uma posição egocêntrica - aquela em que ainda não distingue a existência de um mundo externo separado de si próprio, vai formando sua inteligência através de processos de adaptações, assimilações e acomodações, chegando a uma interação com o mundo externo, e portanto, reduzindo o egocentrismo.

Em seus estudos, Piaget partiu de uma teoria biológica sobre a construção do conhecimento humano, ou seja, da epistemologia genética.
Ele explica que é no estágio sensório-motor que inicia o desenvolvimento da inteligência na criança. Nessa fase, o conhecimento se dá pelo contato físico da criança com o objeto.

Piaget e Vigostky concordam que a inteligência humana somente se desenvolve no indivíduo em função de interações sociais. Isso quer dizer que consideram o homem geneticamente social.

Piaget procura demonstrar, em sua teoria, que a democracia é condição necessária ao desenvolvimento cognitivo e à construção da personalidade dos indivíduos.
Vigostky enfatiza, em suas obras, a importância dos processos de aprendizado. Para ele, desde o nascimento da criança o aprendizado está relacionado ao desenvolvimento e constitui-se em aspecto necessário e universal para o desenvolvimento das funções psicológicas (desenvolvimento cognitivo- pensamento) culturalmente organizada e especificamente humana. Não fosse o contato do indivíduo com certo ambiente cultural, o desenvolvimento não ocorreria.

Vigostky não chegou a formular uma concepção estruturada do desenvolvimento humano que possibilitasse interpretar a construção psicológica do indivíduo do nascimento até a idade adulta. Entretanto, oferecendo inúmeros dados de pesquisas e reflexões sobre vários aspectos do desenvolvimento dentro de uma abordagem genética.

As teorias de Piaget e de Wallon são as mais complexas e articuladas teorias genéticas do desenvolvimento psicológico de que dispomos; entretanto; entende-se por gênese o processo de construção dos fenômenos psicológicos que ocorrem ao longo do desenvolvimento humano.

Piaget, por sua vez, afirma que é o desenvolvimento progressivo das estruturas intelectuais, ou estágios de pensamento, que nos torna capazes de aprender.

No tocante á aquisição da leitura e da escrita, Vygoskty postura que só o processo de aprendizado da leitura e da escrita, desencadeado num determinado ambiente sócio-cultural onde isso seja possível, é que poderia despertar do indivíduo, ou seja, o processo de alfabetização altera o desenvolvimento das funções psicologias superior.

Vygoskty chama a atenção para o fato de que, para compreendermos adequadamente o desenvolvimento de um indivíduo, devemos considerar também seu nível de desenvolvimento “real” e “potencial”.

Caracteriza como Zona de Desenvolvimento Real a capacidade que o indivíduo já adquiriu de realizar tarefas independentemente. Esse nível caracteriza o desenvolvimento decorrente de etapas já alcançadas, já consideradas pelos indivíduos e, no caso das crianças, as funções psicológicas já consolidadas.

Na escola, isso é evidenciado nas tarefas e atividades que o aluno realiza sozinho, corretamente e sem dificuldades.

É preciso também considerar a Zona de Desenvolvimento Potencial, que é caracterizada por Vygoskty como sendo a capacidade que o indivíduo tem para desempenhar tarefas ou atividades com ajuda dos adultos ou colegas mais capazes. Esse nível de capacidade é constituído por aspectos do desenvolvimento que, num determinado momento, está em processo de realização.

São manifestadas, na escola, quando o aluno não consegue fazer sozinho, as atividades propostas, podendo executá-las com a intervenção do professor ou de um colega.

Existem tarefas que uma criança não é capaz de realizar sem que alguém lhe dê instruções, forneça pistas ou dê assistência durante a realização das mesmas. Com essa intervenção, a criança alcança resultados mais avançados do que aquele eu conseguiria se realizasse a atividade sozinha. Essa intervenção é fundamental. Na teoria de Vygoskty, para a criança aprender.

Não é qualquer indivíduo, que pode, a partir da ajuda do outro, realizar qualquer tarefa.

A partir das Zonas de Desenvolvimento Real e Potencial Vygoskty define a Zona de Desenvolvimento Proximal como “a distância” ou o caminho que o indivíduo vai percorrer para desenvolver funções que estão em processo de amadurecimento e que, com a ajuda do outro, tornar-se-ão funções consolidadas e estabelecidas no nível de desenvolvimento real. Essas funções, em processo de maturação, são chamadas por Vygoskty de “brotos” ou “flores” do desenvolvimento, em vez de “frutos”.

A psicopedagoga argentina Emília Ferreiro e seus colaboradores também realizaram estudos na tentativa de entender como se dá o processo de aquisição da língua escrita pela criança.

Para Emília Ferreiro, a aprendizagem da língua escrita é a construção de um sistema de representação. A aprendizagem, nesse enfoque converte-se na apropriação de um novo objeto de conhecimento, ou seja, em uma aprendizagem conceitual. Para ela, “alfabetizar é construir conhecimento”.

Do ponto de vista da escrita, suas pesquisas indicam que cada sujeito, nesse processo, parece refazer o caminho percorrido pela humanidade, qual seja:

Pictográfica = forma de escrita mais antiga que permitia representar só os abjetos que podiam ser desenhados: desenhos do próprio objeto para representar a palavra solicitada.

Ideográfica = consistia no uso de um simples sinal ou marca para representar uma palavra ou conceito: uso símbolos diferentes para representar palavras diferentes.

Logográfica = escrita constituída por desenhos, referentes ai nome dos objetos e não ao objeto em si.

Assim como as primeiras civilizações faziam inscrições na pedra e a “escrita” representava o próprio objeto, para Emília Ferreiro a criança associa o significante ao significado. É o que a criança nos mostra na fase icônica. Num primeiro momento da gênese. A criança acha que escrever é desenhar o abjeto, as pessoas, as coisas. Um grande passo de cada sujeito leitor e escritor no processo de apropriação do código escrito da língua materna dão-se quando surge a necessidade de diferenciar escrita de desenho e do próprio objeto, o que ocorre na fase pré-silábica e exige muito esforço da criança, muito pensar, relacionar e recriar. Para a criança, pessoas, animais e coisas grandes precisam ser nomeados por palavras grandes; é o que chamamos de realismo nominal.

Outro grande momento nessa gênese é aquele em que a criança descobre que a escrita não está relacionada ao próprio objeto, nem ao nome desse objeto, mas à fala. Tendo, aqui, já descoberto grande parte do segredo, a criança tente descobrir como isso funciona e é nesse momento que constrói a hipótese silábica - para cada emissão de voz, coloca uma marca no papel. Avançando nessa hipótese, a criança passa por um período de transição: ora escreve silabicamente, ora alfabeticamente, caracterizando, assim a hipótese silábico-alfabética. Emília Ferreiro explica que a criança avança de um patamar a outro, não abandonando a hipótese anterior, mas englobando e fazendo construções convergentes com avanço. A criança se apropria de mais um segredo do código quando descobre a relação entre fonema e grafema. Ela escreve e lê, quando compreende as leis de composição interna do sistema de escrita e sua língua materna. Nesse momento ela formula a hipótese alfabética.

Isso tudo começa quando a escrita se torna objeto de atenção da criança tendo em vista o seu ambiente cultural, quando começa a interagir com a língua escrita nos livros, revistas, jornais, quando tente compreender o mundo e vai se valendo do jogo simbólico para interpretar, operando com significantes e significados. Considerando a língua escrita um sistema de representação da língua falada, ele a constitui como um tipo de objeto-substituto, em que um significante (sinal gráfico) corresponde a outro significante (som da fala), não de forma biunívoca, e ambos referentes a um significado (pensamento elaborado). Esse processo irá se construindo pelos caminhos da formação do símbolo (imitação, jogo simbólico, desenho), caminhos esses que se identificam com o lúdico, a brincadeira, o jogo.

Emília Ferreiro demonstra em seus estudos que as crianças constroem hipóteses a respeito da escrita e da leitura do mesmo modo como de tornaram falantes de sua língua materna, podendo, portanto se tornarem leituras a produtoras de texto. As crianças se questionam sobre os “riscos”, os “sinais”, as “marcas” com as quais interagem e formulam hipóteses, colocam à prova essas hipóteses, reconstroem-nas alcançando patamares superiores cada vez mais próximos da escrita convencional. Nas pesquisas e observações de crianças nas classes de alfabetização, podemos verificar que primeiro elas formulam hipóteses de leitura, quais sejam: com poucas letras ou sílabas repetidas não formam palavras; o que está escrito abaixo de uma gravura( imagem ou desenho) é o nome dessa imagem. Essas hipóteses de leituras vão avançando, na dependência das intervenções do ambiente. A criança percorre um longo caminho que vão da diferenciação texto e imagem, passando pela etiquetagem ou hipóteses do nome, até a tentativa de conciliar sua hipótese com os indicadores, isto é, os signos já conhecidos. Nas interações com a leitura de diferentes portadores de texto, a criança vai formulando novas hipóteses: a princípio, não concebe leitura sem voz – para ler tem de falar. Portadores de texto não têm relação com o texto - em qualquer portador lê-se qualquer texto, desde que esse seja passível de leitura oral. Gradativamente, a criança avança nas suas hipóteses e chegam a conceber a leitura oral como leitura, e compreender e aceitar que os diversos portadores de texto contêm textos próprios e diferentes.

Nessa construção, a criança passa por etapas importantes consideradas muitas vezes “erradas” do ponto de vista convencional, mas “certas” para ela, porque são lógicas e, sobretudo, necessárias- “erros construtivos”.
Em relação à linguagem, a criança torna-se falante de sua língua materna, porque observa, atentamente, o que se fala à sua volta e, nessa observação, estabelece relações, busca regularidades, faz generalizações, recria sua linguagem.

Piaget demonstra bem que as estruturas da inteligência se desenvolvem na interação do sujeito com o meio que o sujeito é o construtor do seu conhecimento. Ao relacionarmos os estudos do Vygoskty, Piaget e Emília Ferreiro, podemos considerar a questão da escrita e da leitura nas classes de alfabetização, na educação infantil ou nas classes iniciais do primeiro ciclo do Ensino Fundamental como indiscutível. A criança começa a questionar acerca da escrita desde que interage com objetos de leitura pela primeira vez, a partir de suas interações com o mundo e, principalmente, desde suas primeiras construções representativas a partir do lúdico.

Nessa perspectiva, o processo ensino aprendizagem na escola será construído a partir do nível de desenvolvimento real da criança, num determinado momento, em relação a um dado conteúdo curricular a ser desenvolvido, tendo em vista os objetivos e para aquele ano escolar e para cada grupo de criança que atende. É aqui que se interpreta a organização da escola, em ciclos de formação humana, se leva em conta o ciclo vital da criança e os aspectos fundamentais que interferem no seu desenvolvimento psicológico (afetivo e cognitivo), cultural (social) e biológico (motor).

Até aqui apresentamos algumas idéias que podem ajudar o professor a influenciar positivamente na motivação de seus alunos e a melhorar os processos de aprendizagem de nossos alunos. Não há, porém, caminhos ou linhas de trabalho simples que garantam sua melhoria. É importante ter muito presente o tema, pesquisar sobre ele, refletir de forma sistemática sobre nossa prática educativa com fé em que se podem melhorar, convencidos de que os esforços e os conhecimentos teóricos não são inúteis.

Portanto, a escola organizada em ciclo de formação humana, surgiu da idéia de que, cada aluno possui sua característica própria, porém, de acordo com seu ciclo vital essas características podem se aproximar e no convívio com o seu grupo, a criança chega à aprendizagem com mais facilidade.

Com esta atual organização da escola, espera-se:

@ Envolvimento de toda a comunidade escolar;

@ Mobilização constante de toda a equipe de trabalho (direção, coordenação pedagógica, funcionários, professores e alunos);

@ Sensibilização por parte de todos os envolvidos sobre a importância da prática das dimensões psicológicas (afetiva, cognitiva) com o estudante para que tenha sucesso no ato de ler e interpretar;

@ Alcance de todos os objetivos;

@ Capacitação de professores para a realização segura do processo de ensino e aprendizagem.

@ Despertar o interesse de ler e interpretar em qualquer área do conhecimento de forma prazerosa;

@ Que os alunos desenvolvam todas as etapas previstas;

@Que os próprios alunos convoquem toda a comunidade escolar e divulguem os resultados obtidos;

@ Estímulo de todos os envolvidos para a construção de uma educação que leia e interprete a vida em todos os momentos.

@ A história da educação precisa mudar e vai mudar se todos cumprirem o seu papel com responsabilidade, porque a proposta deste sistema de ensino é ótima, cabe aos profissionais da escola, ter conhecimento dessas teorias para se obter um resultado satisfatório.





BIBLIOGRAFIA

COSTA, Maria Luiza Andreozzi. Piaget e a intervenção psicopedagógica. São Paulo, Editora Olho D’Água, 1997.

DOLLE, Jean Marie. Para compreender Jean Piaget. Rio de Janeiro. Editora Guanabara Koogan, 1991.

FERREIRA, Emília & TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da Língua escrita. Porto Alegre, Artes Médicas, 1991.

KAMII, Constance e PEURIES, Rhita. Piaget para a educação pré-escolar. Porto Alegre, Artes Médicas, 1992.
PIAGET, Jean. A psicologia da criança. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1989.

REGO, Teresa Cristina. Vygotsky – Uma perspectiva histórica – Cultural da Educação. Petrópolis, Rio de Janeiro, Editora Vozes, 1997.

TAILLE, Yves De La e outros. Piaget, Vygotsky, Wallon, Teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo, Summus Editorial, 1992.

VYGOTSKY, L.S. Pensamento é Linguagem. 4 ed. SP. Martins Fontes, 1991. A Formação Social da Mente, SP. Martins Fontes.
Em grupos com a mesma idade as

crianças sentem mais liberdade

e estímulo para aprender.


Os adolescentes, já próprio pela idade gostam de participar

de grupos com os quais se identificam e a escola organizada

em ciclos de formação humana contribui para essa vivência

e com isso, quem ganha é o (a) estudante que se desenvolve

com bom êxuto no processo de ensino e aprendizagem.

A troca de experiências entre turmas

da mesma idade se torna mais significativa e enriquece

o conhecimento teórico prático dos (as) estudantes.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

sexta-feira, 12 de março de 2010

A IMPORTÃNCIA DO ENSINO DAS CIÊNCIAS NATURAIS E TECNOLÓGICAS NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Elena Roque de Souza Almeida.

RESUMO

O objetivo deste estudo é refletir sobre o ensino de Ciências Natural e Tecnológico nos anos iniciais da rede estadual de ensino de Várzea Grande MT. A pesquisa descritiva e de cunho quanto-qualitativa foi realizada com nove professoras do primeiro e segundo ciclo do Ensino Fundamental, que atuam em três escolas públicas estaduais de Várzea Grande. Os resultados apontam para uma diversidade de recursos e técnicas de ensino, avanço na formação inicial dos docentes pedagogos e das docentes pedagogas e para a necessidade de implantar programas e cursos de formação continuada na área. As Ciências Naturais e Tecnológicas são pouco enfatizadas nas classes iniciais da escola organizada em ciclos de formação humana, em relação à área de linguagem e de Matemática, que mesmo sendo ministrado como um componente curricular, precisa ainda, avançar em alguns aspectos para efetivamente possibilitar a formação do estudante para que seja alfabetizado e letrado cientifica e tecnologicamente.

Palavras-Chave: Ensino de Ciências Naturais e Tecnologias, Alfabetização e Letramento Científico e tecnológico, Professores (as)
INTRODUÇÃO
A educação escolar, na atualidade, deve propiciar, além da transmissão sistemática dos conteúdos de ensino, historicamente produzidos e acumulados, assegurar que os alunos se apropriem desses conteúdos de forma ativa, para que possam reelaborar esses conhecimentos e, com isso, obter um senso crítico mais concreto, embasado na compreensão científica e tecnológica da realidade social e política na qual vive.

Este estudo tem o propósito de refletir sobre o ensino de Ciências Natural e Tecnológico nos anos iniciais, conforme Santos (2005), por entendermos que esse ensino deve se preocupar com os conhecimentos científicos, que, sendo veiculados desde os primeiros anos escolares do Ensino Fundamental, venham a se constituir em um aliado para que o estudante possa ler e compreender o seu universo.

Entende-se que pensar e transformar o mundo que nos rodeia tem como pressuposto conhecer os aportes científicos, tecnológicos, assim como a realidade social e política.

A Alfabetização e Letramento Científico Tecnológico, no contexto do ensino de Ciências Natural e Tecnológicas, nos anos iniciais são compreendidos como o processo pelo qual a linguagem dessas Ciências adquire significados, constituindo-se em um meio para o indivíduo ampliar o seu universo de conhecimento, a sua cultura, como cidadão inserido na sociedade.

Atualmente, pode-se verificar que a modalidade de ensino que se vem desenvolvendo nas instituições escolares tem sido alvo de muitas discussões e estudos, principalmente em eventos científicos tecnológicos como, por exemplo, os da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC), Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino (ENDIPE) e, Encontro Norte e Nordeste de Pesquisa Educacional (ENPE); no que se refere ao fato de estarem formando pessoas críticas, com capacidade para compreender e transformar seu conhecimento em contexto social-histórico, eventos ainda desconhecido por muitos professores que atuam nessas classes.

Por conseguinte, uma das questões que nos deixa preocupados quanto ao alcance dos objetivos a serem atingidos no Ensino Fundamental é justamente ao fato de a educação científica e tecnológica não estar sendo plenamente valorizada.

É possível verificar isto a partir dos estudos realizados sobre o Ensino de Ciências, nos anos iniciais, por autores como Pernambuco e Silva (1985); Fracalanza (1986); Krasilchik (1987); Mendes Sobrinho (2002); Brand e Gurgel (2002) e Chassot (2003). Tradicionalmente, o ensino na área tem sido descrito como predominantemente teórico, a-histórico, expositivo, pouco enfatizado em relação a outras áreas do conhecimento e, muitas vezes, ministrado como um componente curricular obrigatório.

Acredita-se, portanto, na importância da Alfabetização e Letramento Científico Tecnológico nos anos iniciais como forma de criar um espírito crítico, reflexivo que permita aos estudantes fazerem uma leitura do mundo, buscando dessa forma, compreender e atuar na sociedade na qual estão inseridos.

Atualmente, frente à escola organizada em ciclos de formação humana, nós educadores, devemos estar preparados para colaborar com a formação de pessoas que ajam com responsabilidade, autonomia, criatividade e que possam se realizar tanto em sua vida pessoal, quanto em sociedade.

Sendo assim, precisamos oferecer condições para que os estudantes desenvolvam cada vez mais o conhecimento sobre a natureza e o respeito para com ela, tornando-se capaz de compreender seus fenômenos e usar seus recursos naturais e tecnológicos com sabedoria.

A construção desse conhecimento e dessas atitudes, sem dúvida, se relaciona aos conteúdos e procedimentos da área de ciências naturais e tecnológicas; ao professor e à professora cabe contribuir com a intervenção competente e organizada; e criar condições reais para que as crianças desenvolvam habilidades para resolver problemas e relacionar o conhecido e o novo; o particular e o geral; a causa e o efeito; o semelhante e o diferente; preciação e respeito pelo mundo em que vivem e pelo próprio corpo.

A preocupação com os aspectos afetivos, valores e atitudes deverá estar sempre presente em todos os momentos do trabalho educacional.

O professor e a professora deverão mostrar que o ser humano como parte do universo, precisa ter consciência da importância de suas ações em relação à natureza e à sociedade, e perceber que saúde é um bem e sua preservação, responsabilidade de cada um.

Cada pessoa dá sentido ao seu viver na relação com o outro e assimilação da cultura presente em seu ambiente.

Muitos problemas de aprendizagem são explicados pela ausência ou uso inapropriado de estratégicas de estudo e pela não existência de hábitos de trabalho favoráveis à aprendizagem. Além disso, até hoje, ainda há quem considere como uma das causas do fracasso escolar, o tempo de estudo insuficiente para crianças e adolescentes, mas há também alguns pesquisadores que vêem o fracasso escolar como uma consciência muito limitada da utilidade de adaptar estratégias de ensino por parte dos professores e das professoras.

Os ciclos de formação humana compreendem uma das formas de organização escolar do Ensino Fundamental, previstas na LDB, onde a base da enturmação das alunas e alunos ocorre com referência à idade e, a partir disto, o processo de escolarização busca oferecer maior tempo escolar e contribuir com o desenvolvimento integral do estudante, a partir de atividades que consideram a heterogeneidade da turma como uma força motriz da aprendizagem.

Se nos interrogarmos sobre o que poderemos fazer para aprender melhor? Temos por certo alguma dificuldade em responder a atual questão. Na verdade, na maior parte dos casos, a aprendizagem ocorre de uma forma automática e, por isso, não é fácil apercebermo-nos dos componentes que nela intervêm. No entanto, quando deliberadamente queremos aprender um determinado tema, e assumimos um comportamento intencional para o compreendermos é-nos mais fácil tomar consciência de alguns dos componentes que ocorrem para uma aprendizagem com êxito. Por isso, fundamentamo-nos também, na obra e teoria de Piaget, Vygotsky, Wallon e seus discípulos, Emilia Ferreiro e outros, quando nos confrontarmos com aprendizagem de temas que nos causam dificuldades de compreensão, que nos levam a refletir sobre alguns dos aspectos importantes que nos auxiliam no processo de ensino e aprendizagem. Podemos por exemplo, atribuir as nossas dificuldades a fatores externos: o método de ensino adaptado na aprendizagem daquele tema, o tempo de aprendizagem insuficiente para uma compreensão detalhada do assunto em questão, o clima desfavorável em que ocorre aquela aula.

O ensino de Ciências nas classes de Primeiro e de Segundo Ciclo do Ensino Fundamental possui algumas especificidades quando comparada àquela praticada em outras etapas da Educação Básica. Uma delas é o fato de contar com um professor polivalente, em geral graduado em Pedagogia e também responsável pelo ensino de outras áreas do conhecimento.

Pretende-se com o conteúdo apresentado até aqui, realizar um estudo de caso acerca das características, fundamentos e concepções que norteiam a formação do pedagogo, da pedagoga para o ensino de Ciências nas classes do Primeiro e Segundo Ciclo nas escolas públicas localizadas no estado de Mato Grosso, para possíveis contribuições pelas Professoras Formadoras da Área de Alfabetização do CEFAPRO / Cuiabá MT, na oferta de cursos de formação com o tema em discussão. Esta proposta dependerá da enquete respondida por vocês, para daí, então, apresentá-la ao CEFAPRO Cuiabá/ MT. Participe desta enquete, se tiver interesse nessa formação.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009